------------------------------------------------------- Porrada, mídia "inverso" e jornalismo...: FUNK BRASIL - UMA PORRADA DE CIVILIDADE NO PRECONCEITO DOS CARIOCAS

domingo, 9 de setembro de 2012

FUNK BRASIL - UMA PORRADA DE CIVILIDADE NO PRECONCEITO DOS CARIOCAS

Acima os atores que encarnam personagens que vão de Big Boy a Claudinho e Buchecha, passando por Cidinho e Doca, DJ Malboro e até os mais polêmicos como Tati Quebra-Barraco.  Destaque para o baixinho de boné: impagável dançando e cantando.

É som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado. O refrão, um dos muitos que romperam os limites dos bailes para esbofetear a indiferença social, resume bem a história do funk carioca. Neste feriado da independência, resolvi levar a família para uma aula de civilidade. Fomos todos assistir à peça Funk Brasil - 40 Anos de Baile. A simplicidade da montagem, sem cenário e com figurino fixo, expõe seis jovens atores a um misto de curiosidade e desconfiança por parte do público. O resultado final é uma porrada. Faz você repensar o preconceito que já teve ou ainda tem em relação a uma manifestação cultural genuinamente carioca, genuinamente brasileira.

Vergonha? De quê?! Tenho vergonha de já ter tido vergonha do funk. Se Caetano Veloso, no auge do preconceito, saiu em defesa do movimento...E se até o rei Roberto Carlos se engajou gravando um funk, quem somos nós, pobres mortais, para condená-lo. A peça mostra isso e muito, mas muito mais. Os personagens percorrem a história desde os primeiros bailes no Canecão, na década de 70, até a proliferação de equipes e festas por favelas e todo o subúrbio do Rio e do Brasil.

Meu moleque de nove anos balançou a cabeça e bateu o pé do início ao fim. Minha princesa, de 14, me surpreendeu acompanhando no gogó a maioria das músicas. A patroa, que torceu o nariz no início da peça, terminou aplaudindo de pé. Eu, confesso, sai de lá com o coração apertado. Feliz, porém, com saudade da época em que o funk esbofeteava a gente com refrões inesquecíveis como: "Eu só queeeero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci...ãaahhh...E poder me orgulhar, e ter a consciência que o pobre tem seu lugar". Continua atual, né? Aliás, a história desse funk também está na peça, que recomendo para todas as famílias cariocas.





Um comentário:

Bruna Paiva disse...

peça muito boa, vale a pena assistir...