------------------------------------------------------- Porrada, mídia "inverso" e jornalismo...

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Deixa de besteira Noblat...O Vale-Tudo prospera justamente porque não há ranking formal


Não há nada que me irrite mais do que ler besteiras escritas por gente que se diz especialista em Vale-Tudo (sim, porque MMA é o cacete!). E como a porra do esporte virou moda, tropeço em besteiras o tempo todo. A de hoje está em uma coluna de "MMA" publicada no jornal O Globo desta quarta-feira. O artigo clama pela criação de um "ranking transparente" no UFC. E em seguida "informa" aos leitores que, para a direção do maior evento de Vale-Tudo do mundo, o entretenimento e o lucro com a venda de produtos está em primeiro lugar. Alguém duvidava disso?

Por que parou? Parou por quê?
Ora, nem mesmo Rorion Gracie - que criou o UFC pensando em catapultar o Jiu-Jitsu para o mundo - abriu mão do entretenimento. Ele sabia que para a fórmula dar certo precisaria dar contornos de espetáculo ao evento e teria que vender muito pay-per-view. A decadência do boxe provou que a simples combinação de ranking formal, ring e porrada não se sustentam, por si só, como fórmula duradoura. E nessa área ninguém fez mais do que os japoneses. Enquanto o UFC patinava na lama no fim dos anos 90, o Pride concentrava os holofotes do Vale-Tudo mundial com muita pirotecnia e deixando que a audiência do show pautasse a política de casamento de lutas. O UFC aprendeu...

Que política rígida de pontuação de ranking permitiria o casamento de lutas como Bob Sapp x Rodrigo Minotauro, um dos maiores épicos da história do esporte? Ou, para usarmos um exemplo mais próximo, que política "justa" de rankeamento permitiria o casamento de Belfort x Jones em luta válida pelo título? Todos sabíamos que Vitor era o azarão, mas tenho certeza de que, assim como eu, muita gente fez força com ele naquela chave de braço e chegou a acreditar, por alguns segundos, que o campeão seria finalizado.Aliás, to puto com o Vitor. Como deixou aquele braço escapar? Se borrava todo, mas não largava a bagaça!

O imponderável, a surpresa, a possibilidade de um azarão emergir e surpreender um campeão é o que torna esse esporte tão instigante. E mesmo que perca o seu cinturão, um verdadeiro campeão jamais perderá o prestígio, ou a oportunidade de retomar o título. Dana White sabe que não pode ir contra a pressão dos fãs por muito tempo. Na verdade o que ele quer é justamente satisfazer a esses fãs, que lhe entulham o bolso de dinheiro. Enquanto houver espetáculo, entretenimento, o show vai continuar e o esporte permanecerá em alta. O que falta ao UFC e à saude do Vale-Tudo é concorrência de qualidade. Já passou da hora de um novo grande evento surgir no cenário internacional.



Leia Mais…

domingo, 9 de setembro de 2012

FUNK BRASIL - UMA PORRADA DE CIVILIDADE NO PRECONCEITO DOS CARIOCAS

Acima os atores que encarnam personagens que vão de Big Boy a Claudinho e Buchecha, passando por Cidinho e Doca, DJ Malboro e até os mais polêmicos como Tati Quebra-Barraco.  Destaque para o baixinho de boné: impagável dançando e cantando.

É som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado. O refrão, um dos muitos que romperam os limites dos bailes para esbofetear a indiferença social, resume bem a história do funk carioca. Neste feriado da independência, resolvi levar a família para uma aula de civilidade. Fomos todos assistir à peça Funk Brasil - 40 Anos de Baile. A simplicidade da montagem, sem cenário e com figurino fixo, expõe seis jovens atores a um misto de curiosidade e desconfiança por parte do público. O resultado final é uma porrada. Faz você repensar o preconceito que já teve ou ainda tem em relação a uma manifestação cultural genuinamente carioca, genuinamente brasileira.

Vergonha? De quê?! Tenho vergonha de já ter tido vergonha do funk. Se Caetano Veloso, no auge do preconceito, saiu em defesa do movimento...E se até o rei Roberto Carlos se engajou gravando um funk, quem somos nós, pobres mortais, para condená-lo. A peça mostra isso e muito, mas muito mais. Os personagens percorrem a história desde os primeiros bailes no Canecão, na década de 70, até a proliferação de equipes e festas por favelas e todo o subúrbio do Rio e do Brasil.

Meu moleque de nove anos balançou a cabeça e bateu o pé do início ao fim. Minha princesa, de 14, me surpreendeu acompanhando no gogó a maioria das músicas. A patroa, que torceu o nariz no início da peça, terminou aplaudindo de pé. Eu, confesso, sai de lá com o coração apertado. Feliz, porém, com saudade da época em que o funk esbofeteava a gente com refrões inesquecíveis como: "Eu só queeeero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci...ãaahhh...E poder me orgulhar, e ter a consciência que o pobre tem seu lugar". Continua atual, né? Aliás, a história desse funk também está na peça, que recomendo para todas as famílias cariocas.





Leia Mais…